segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Jovens 'vulneráveis' sonham com mundo sem guerras

O que esperam do futuro adolescentes que tiveram um passado de sofrimento e que, não fossem ações de ONGs ou do governo brasileiro, talvez nem estivessem vivos hoje?

A BBC Brasil entrevistou jovens que enfrentaram situações que o Unicef, em seu relatório "Situação da Infância no Mundo", de 2005, classifica como as que mais ameaçam essa faixa etária no país: a pobreza, a violência urbana e o HIV.

A paulista Daniela*, de 15 anos, nasceu com o vírus da Aids, perdeu o pai para a doença e chegou a passar quatro meses internada com suspeita de câncer cerebral. Em Salvador, Jonathas, 16, abandonou a escola e vivia de pedir dinheiro pelas ruas de Salvador. No semi-árido baiano, Tainá, 16, trabalhava na colheita de sisal desde os 4 anos e só começou a estudar aos 8.

Hoje, eles não só superaram as dificuldades como também estão empenhados em ajudar outras crianças e adolescentes na mesma situação. E sonham com um mundo sem guerras nem violência.

Clique para assistir ao depoimento de Daniela.

Clique para assistir ao depoimento de Tainá.

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‘Mais vulneráveis’

Em entrevista à BBC Brasil, o oficial de programas do Unicef no Brasil, Mario Volpi, explicou que os temas apontados pelo relatório de 2005 são fatores que geram exclusão social.

“O jovem excluído é o que está mais vulnerável. Ele tem um percentual mais alto de abuso de drogas, de envolvimento em crimes, de gravidez precoce, de trabalho ilegal, de exploração e outros problemas”, afirmou.

Para Volpi, a sociedade brasileira precisa ajudar o adolescente a se fortalecer e, assim, se proteger. “O mundo só agora voltou a perceber o grande potencial que os jovens desta idade representam. E eles precisam de políticas governamentais específicas para ganhar mais participação e poder expressar seus interesses.”

Volpi afirmou ainda que, entre todos as questões envolvendo o adolescente brasileiro, a que mais preocupa o Unicef é a morte violenta dos jovens.

Leia mais: Violência contra jovens é o que mais preocupa Unicef no Brasil

Já o combate ao trabalho infantil é a área que ele destaca como uma das mais positivas no Brasil.

Leia mais: Para OIT e Unicef, Brasil descobriu fórmula contra trabalho infantil

Pesquisa

Além das dificuldades do passado e do engajamento no presente, Daniela, Jonathas e Tainá dividem o mesmo sonho para o futuro: conseguir um bom emprego.

Essa também é uma das principais preocupações de 97% dos adolescentes brasileiros entrevistados em uma pesquisa mundial encomendada pela BBC para o especial Geração do Futuro.

Leia mais sobre os resultados da pesquisa no Brasil.

Leia mais sobre os resultados da pesquisa no mundo.

“O brasileiro tem uma crença muito forte de que o trabalho é a saída para se ter uma vida digna”, explica Pedro Américo Furtado de Oliveira, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. “Mas para isso o Estado tem que fazer o seu papel, criando novos empregos com qualidade e proteção dos direitos.”

Para Oliveira, o futuro do adolescente brasileiro no trabalho dependerá da garantia de que cada setor co-responsável por ele – a família, o Estado e a sociedade – assuma seu papel no respeito aos direitos dos jovens.

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